7 de março de 2026

Durante anos, essa história teima em circular em sussurros pelos corredores da política local. Nunca foi manchete de jornal, tampouco virou denúncia formal nos anais do Ministério Público. Mas como todo boato que insiste em não morrer, tornou-se parte das conversas dos bastidores da política local: a noite em que um desfile de go-go boys teria acontecido — discretamente — dentro do gabinete da prefeitura.

Como um pingo é letra, a suposta noite do ocorrido nunca foi registrada em nenhuma ata, nem nos arquivos de vigilância. Mas um ex-segurança, cuja identidade não será apresentada por motivos óbvios, relatou detalhes suficientes para levantar suspeitas. Segundo ele, naquela sexta-feira específica — ano não revelado, mas “época do mandato do fulano”, como ele mesmo diz — foi dispensado mais cedo do que o habitual. Estranho, considerando que o expediente geralmente exige vigilância até as 23h, quando o último servidor tranca os portões.

Mas foi na saída que algo o chamou atenção: uma van preta, vidros escurecidos, sem identificação, estacionando rente à entrada dos fundos da prefeitura. “Desceram uns caras grandes, de calça justa e camiseta regata. Pareciam dançarinos. E carregavam malas pretas. Não era equipamento de som comum”, ele contou. À distância, ouviu música abafada, flashes de luz por entre as persianas, e o que descreveu como “uma energia totalmente fora do protocolo institucional”.

Nenhum outro servidor confirma o fato. Alguns dizem que “já ouviram falar”, outros fingem não saber do que se trata. Uma assessora antiga, em off, riu e respondeu apenas: “Naquela gestão, tudo era possível”.

Nada consta nos registros públicos. Nem festas, nem eventos noturnos, nem mesmo manutenção fora de horário. O caso permanece como está: uma anedota contada nos bastidores da política, com uma dose de mistério, um toque de glamour e um silêncio administrativo que intriga.

Seria apenas um boato? Talvez. Mas como todo bom rumor que perdura, o que o alimenta não é a certeza — é o desconforto com a possibilidade de que, naquela noite, a burocracia tenha dançado ao som de beats eletrônicos, ordens de serviços, cheques para assinar, decisões administrativas…e ninguém ousa confirmar.

favicon
João Bosco Nascimento