7 de março de 2026

Oficialmente vítima de um aneurisma cerebral, o político conhecido pela saúde de ferro e hábitos peculiares deixou para trás uma dúvida que resiste ao tempo: foi apenas o destino — ou algo mais?

Carlos Calixto, ex-prefeito de Santa Luzia, morreu em 2016 vítima de um aneurisma cerebral, segundo laudo médico. No entanto, quase dez anos após sua morte, persistem dúvidas entre amigos próximos, ex-assessores e moradores da cidade: o que teria causado um aneurisma tão fulminante em um homem que se autodenominava uma “fortaleza”, apesar dos vícios e da aparência mirrada?

Um homem de rotinas, vícios e rituais

Carlos Calixto era um político peculiar. Amado por uns, criticado por outros, era inegavelmente carismático. Com uma rotina marcada por hábitos inusitados — como a vitamina de abacate diária às 15h e doses regulares de uma cachaça caseira chamada Quinta Maravilha — Calixto era também um fumante inveterado e defensor ferrenho de sua própria saúde.

“Ele dizia que o cigarro e a cachaça o mantinham vivo e criativo”, conta um ex-assessor que preferiu não se identificar. “Mas nos últimos meses, a gente percebia que algo estava errado.”

Os sinais que antecederam o fim

Meses antes da morte, relatos indicam que Calixto já demonstrava sintomas incomuns. Tosses constantes, gripes recorrentes e um cansaço que não combinava com sua energia habitual. Ainda assim, mantinha a rotina intacta — inclusive com a vitamina feita sem qualquer controle de checagem.

Aneurisma: uma explicação médica — ou conveniente?

A biblioteca médica é clara: um aneurisma cerebral é a dilatação anormal de uma artéria no cérebro. Pode romper e causar hemorragia, levando à morte. Os fatores de risco incluem hipertensão, tabagismo, uso de álcool, drogas e histórico familiar. Mas o que poucos sabem é que certas toxinas e drogas ilícitas também podem enfraquecer as paredes dos vasos sanguíneos, tornando a condição mais provável — ou até induzida.

“O uso de substâncias vasoconstritoras, como drogas, ou exposição crônica a certos venenos pode sim acelerar o surgimento e rompimento de um aneurisma”, explica a neurologista Dra. Tereza Martins, consultada pela reportagem.

Negligência ou algo mais?

Entre os que conviveram com Calixto nos meses finais, há quem fale em que ele pressentia a morte. Outros levantam hipóteses mais graves que beiram histórias fictícias e teorias de conspiração: envenenamento lento ou até algum tipo de sabotagem pessoal ou política.

E o laudo?

O laudo oficial da morte, registrado pelo hospital, indicava ruptura de aneurisma cerebral, sem menção a exames toxicológicos. “Na época, ninguém questionou muito. Ele já estava fragilizado. Mas hoje, olhando para trás, acho que deveríamos ter investigado melhor”, diz outro assessor próximo ao político.

O fato é que hoje, quase uma década depois, Carlos Calixto permanece vivo nas rodas de conversa da cidade. Não só por sua trajetória política, mas pelas perguntas que sua morte deixou. Teria sido mesmo um aneurisma fulminante? Ou houve algo mais, escondido nas entrelinhas de sua vida — e talvez, de seu copo de vitamina de abacate ?

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João Bosco Nascimento