23 de abril de 2026

SENADOR CARLOS VIANA SE ENVOLVE EM COMPRA SUSPEITA DE AVIÃO E REPASSE MILIONÁRIO À IGREJA DA LAGOINHA


A trajetória do senador Carlos Viana sempre esteve ancorada em um discurso firme. Nos tempos de Rádio Itatiaia, construiu sua imagem como defensor intransigente dos bons costumes, da ética e dos valores tradicionais, além de crítico contundente de gestores públicos — postura que lhe rendeu o apelido de “terror dos prefeitos”.

É justamente essa biografia, marcada pela vigilância moral e pelo rigor no julgamento alheio, que torna ainda mais relevante o recente episódio envolvendo seu patrimônio. De acordo com informações divulgadas pelo Metrópoles, o senador adquiriu, em 2025, um avião bimotor por R$ 1,5 milhão, por meio de uma propriedade rural a ele vinculada.

O dado, por si só, não configura irregularidade. No entanto, levanta questionamentos legítimos. A mesma aeronave havia sido negociada, em 2022, por cerca de R$ 330 mil — uma diferença expressiva que merece esclarecimento. Soma-se a isso o fato de que o valor da compra representa uma parcela significativa do patrimônio declarado pelo próprio senador à Justiça Eleitoral.

Outra atitude do senador foi o repasse de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares à Fundação Óasis, ligada a Igreja da Lagoinha. Um detalhe, ele é presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do INSS, que teve seus trabalhos finalizados esta semana sem o relatório final.Devemos ressaltar aqui, que enquanto apresentador na Rádio Itatiaia, Viana já era bem conhecido em Santa Luzia por entrevistar diversas vezes e se tornar próximo da ex-prefeita Roseli Pimentel, que posteriormente foi presa e condenada por crimes de improbidade admnistrativa. Ela recorre em liberdade da condenação.

Em uma democracia, figuras públicas não são cobradas apenas pela legalidade de seus atos, mas também pela coerência entre discurso e prática. Quem constrói capital político com base na crítica à conduta dos outros inevitavelmente se submete a um nível maior de escrutínio.

O silêncio da assessoria diante das tentativas de contato da imprensa, nesse contexto, não contribui para dissipar dúvidas — ao contrário, reforça a necessidade de transparência. Explicar as circunstâncias da aquisição, a valorização do bem e a compatibilidade com os rendimentos declarados não é apenas uma obrigação formal, mas um compromisso com a confiança pública.

Mais do que um caso isolado, o episódio reacende um debate recorrente no país: até que ponto nossos representantes conseguem sustentar, na prática, os valores que defendem em discurso?

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João Bosco Nascimento