29 de setembro de 2026

FALTA DE PROPOSTAS E ABANDONO DO DEBATE SERÃO AS MARCAS DAS ELEIÇÕES 2026

O Brasil caminha para o fim de mais um processo eleitoral marcado pela polarização, pelo vazio de ideias e pela ausência de propostas capazes de enfrentar os problemas reais da população. O que deveria ser um grande debate sobre o futuro da nação transformou-se em um espetáculo de ataques, discursos repetitivos e promessas que, muitas vezes, não resistem ao primeiro contato com a realidade.

Na disputa pela Presidência da República, o cenário é desolador. De um lado, o velho discurso de quem se apresenta como o pai dos pobres, como se a população brasileira precisasse de tutela, e não de oportunidades, desenvolvimento e dignidade. Do outro, a falta de projetos consistentes, acompanhada de uma retórica marcada pela disseminação de notícias falsas e pela exploração da desinformação.

É triste constatar que, em pleno século XXI, o debate eleitoral se resuma a frases de efeito, como promessas de estradas decentes ou a defesa do Pix como argumento para conquistar votos. Onde estão os projetos para a educação, a saúde, a segurança pública, a geração de empregos e o desenvolvimento econômico? Onde estão as propostas concretas para reduzir as desigualdades e melhorar a vida de milhões de brasileiros? O que se vê é uma disputa em que o adversário se tornou mais importante do que o próprio país. Não se discutem ideias, confrontam-se pessoas. Não se apresentam caminhos, multiplicam-se acusações. A política, que deveria ser o espaço privilegiado da construção coletiva, foi sequestrada pela lógica do “nós contra eles”.

Em meio a esse cenário, ainda existem candidatos que ousam pensar além do discurso fácil. É o caso do jornalista Eduardo Costa, candidato a deputado por Minas Gerais, que defende a construção de um Rodoanel na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Trata-se de uma proposta que merece ser discutida pela sua relevância para a mobilidade urbana, a infraestrutura e o desenvolvimento regional. É desse tipo de debate que a sociedade precisa: projetos que enfrentem problemas concretos e apontem soluções possíveis.

Infelizmente, o que predomina é a fragmentação do debate em bandeiras setoriais, promessas de ocasião e ideias mirabolantes, muitas delas sem sustentação técnica, financeira ou política. Falta planejamento, sobra marketing.

A política dos grandes ideais parece ter sido empurrada para os bastidores. Em seu lugar, entraram os marqueteiros, os videomakers, os assessores de imagem, os criadores de conteúdo e os especialistas em engajamento. A preocupação já não parece ser convencer pela consistência das ideias, mas conquistar curtidas, visualizações e aplausos nas redes sociais. O candidato virou produto. A campanha, uma vitrine. O eleitor, um número nas estatísticas de engajamento.

E assim, pouco a pouco, a política perde sua essência. A vaidade pessoal ocupa o espaço do compromisso público. A disputa pelo poder se sobrepõe à responsabilidade de governar. Enquanto isso, as necessidades coletivas continuam à espera de soluções. Pobre política brasileira! Perdida em meio a egos inflados, discursos vazios e estratégias de marketing, parece ter se esquecido de sua razão de existir: servir à sociedade.

Uma democracia não se sustenta apenas com eleições, slogans e promessas. Precisa de ideias, projetos, responsabilidade e, acima de tudo, compromisso com o futuro do país.

O Brasil não precisa de salvadores da pátria, nem de políticos transformados em celebridades. Precisa de líderes capazes de apresentar propostas, debater soluções e assumir responsabilidades. Porque, quando a política abandona as ideias, quem paga a conta é sempre o povo.

Por: Joao Bosco Nascimento

Imagem: IA

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João Bosco Nascimento