QUANDO O 7 DE SETEMBRO NÃO ERA APENAS UM FERIADO EM SANTA LUZIA

Há quem nem se lembre, num primeiro momento, que hoje é feriado de 7 de Setembro. Há também quem não goste dos desfiles cívico-militares e prefira passar o dia longe de bandeiras, marchas e solenidades.
Mas houve um tempo em que as crianças esperavam ansiosamente pelo 7 de Setembro.
Era dia de acordar cedo, colocar a melhor roupa e ir para a avenida. Era a oportunidade de ver de perto os tanques de guerra, os soldados marchando em posição de sentido, as viaturas das polícias com as sirenes ligadas. Para muitos, era mais do que um desfile: era uma aula de cidadania a céu aberto, um momento de descoberta e, sobretudo, de pertencimento. Era o 7 de Setembro.
Em Santa Luzia, esses tempos existiram e deixaram saudade. Por iniciativa do saudoso ex-prefeito Carlos Calixto, a Avenida Brasília se transformava em um grande palco de brasilidade, civismo e participação popular.
As escolas de todo o município — estaduais e municipais — ocupavam as ruas. Postos de saúde, secretarias, APAEs e diversas instituições se juntavam ao Exército, Marinha, Aeronáutica e às polícias Civil e Militar.
Cada grupo trazia seu tema, sua mensagem, suas cores e sua maneira de participar. Mas havia algo que unia todos: a vontade de estar presente e celebrar uma das maiores expressões de cidadania e amor à pátria.
Santa Luzia vivia, naquele dia, um momento singular.
O que para muitos poderia ser apenas mais um feriado no calendário se transformava em uma grande festa popular. As famílias iam para as arquibancadas montadas ao longo da avenida . As crianças se encantavam. Os mais velhos relembravam histórias. E a cidade, por algumas horas, parecia respirar um sentimento coletivo de pertencimento.
Não se tratava apenas de marchar. Tratava-se de participar.
Tratava-se de mostrar às crianças que uma cidade também constrói sua identidade quando ocupa as ruas, valoriza sua história e celebra seus símbolos.
Hoje, o 7 de Setembro voltou a ser, para Santa Luzia, apenas um feriado.
Não há desfile. Não há banda. Não há crianças esperando para ver os militares passarem. Não há a avenida tomada por escolas, instituições e famílias. Não há aquela grande celebração que fazia a cidade parar para assistir. Há, quando muito, uma postagem no TikTok.
E talvez seja justamente isso que incomode: não é apenas o fim de um desfile. É o desaparecimento de uma tradição que fazia parte da memória coletiva da cidade.
O 7 de Setembro continua marcado no calendário.
Mas, em Santa Luzia, a pergunta que fica é outra: quando foi que deixamos de celebrar a nossa própria história?
